As livrarias do futuro
Por Luiz Alberto Marinho
A avalanche digital já fez diversas vítimas - máquinas fotográficas convencionais, aparelhos de fax, toca discos e gravadores cassete são apenas alguns exemplos. Outros mercados vão também se transformando por força das novidades tecnológicas, tais como jornais impressos, turismo e setor bancário. Isso, é claro, está obrigando várias empresas a rever seus modelos de negócio. Quer exemplos? Anote aí - a Blockbuster, rede de locação de filmes, aposta agora nos EUA em videogames e na venda combinada de equipamentos eletrônicos com jogos e filmes. A Kodak, que despertou tardiamente para a realidade digital, tenta recuperar o tempo perdido investindo fortemente em inovação. Enquanto isso, a Apple continua inaugurando mega lojas físicas ao mesmo tempo em que investe pesado na venda e aluguel de filmes pela internet.
Outra empresa que tenta se reinventar é a rede de livrarias Borders, que anda preocupada não apenas com o baixo índice de leitura nos EUA - pesquisa da Associated Press mostrou que 1 em cada 4 americanos não leu nenhum livro em 2006 - mas também com a concorrência dos ebooks, cujas vendas crescem a uma proporção de 56% ao ano desde 2002. Vale dizer que os livros tradicionais ainda dominam o mercado editorial americano. As vendas de livros para adultos somaram US$ 5,1 bilhões no ano passado, mas o número de unidades vendidas ficou estagnado. Por outro lado, os formatos alternativos - de áudio books a ebooks - estão em alta. Em 2007, as vendas de áudio books cresceram 19,8% atingindo US$ 218 milhões. Os ebooks (textos digitais que podem ser lidos em computadores ou equipamentos portáteis) experimentaram um aumento de 23,6%, chegando a US$ 67 milhões.
Para tentar garantir a sobrevivência no futuro, a Borders abriu uma loja conceito na Califórnia, onde as novidades digitais se misturam com os livros tradicionais. Com cerca de 2 mil m2, esta é a 1a de uma série de 14 lojas piloto que serão inauguradas naquele país. Entre outras coisas, a nova Borders tem um centro digital que permite aos consumidores produzir cds personalizados, baixar músicas e obras literárias, imprimir seus próprios livros e criar álbuns de fotos digitais. A idéia é misturar o mundo virtual e a loja tradicional no mesmo espaço. Especialistas, entretanto, estão céticos em relação ao novo projeto. Afinal, por que é que os jovens sairiam de casa para queimar um cd personalizado ou baixar músicas e livros, quando podem, afinal, fazer isso tranqüilamente no conforto do seu lar?
Mas muita gente aposta que os livros e as livrarias não ficarão obsoletos. Pesquisas mostram que metade dos freqüentadores não vai as lojas com o objetivo explícito de compra e sim em busca de novidades e pela experiência. Certo mesmo é que as livrarias, assim como as agências de viagem, lojas de cds e locadoras de vídeos, estão preocupadas com o novo mundo que vai sendo construído pelos nativos digitais.


















