Para milhares de cidadãos, a semana passada foi inesquecível. Ela ficará marcada como o tempo em que a esperança renasceu com força dentro de cada um, já que com a liberação definitiva na quinta-feira 29, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), das pesquisas com células tronco, a expectativa é que os estudos proliferem pelo País.
Mas não foi uma vitória fácil. Após a alegria experimentada em março de 2005 quando a Lei de Biossegurança foi aprovada pelo Congresso Nacional permitindo a realização dos estudos, os pacientes sofreram um revés. O então procurador-geral da República, Cláudio Fonteles, entrou no STF com uma ação pedindo que a autorização para as pesquisas fosse considerada inconstitucional. O argumento era que o uso de embriões feria o direito à vida, garantido pela Constituição. O procurador tocou em uma questão tão importante como polêmica: afinal, quando a vida começa? De acordo com a Igreja Católica, por exemplo, há vida já em um embrião. No entendimento da ciência, não. No julgamento, os juízes do STF ficaram ao lado da razão. Por seis votos a cinco, deram o aval que faltava. Eles liberaram o uso de células retiradas de embriões congelados há pelo menos três anos em clínicas de reprodução humana, desde que haja o consentimento dos pais. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária está organizando um cadastro dos centros onde estão embriões com essas características.
Se para os pacientes a decisão do STF dá novo fôlego para continuarem lutando contra patologias quase sempre graves, para a medicina brasileira o sinal verde significou um marco histórico. A permissão de realização de pesquisas com células-tronco embrionárias nos coloca no Primeiro Mundo da ciência pelo menos nessa área do conhecimento, ao lado de países como Japão, Estados Unidos e Israel. A partir de agora, os pesquisadores brasileiros podem se dedicar mais diretamente aos estudos, condição que estava prejudicada até então.
E a profusão de trabalhos com bons resultados é impressionante. Na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, pesquisadores reduziram em ratos danos associados ao acidente vascular cerebral. “As células embrionárias têm o potencial para tratar problemas complexos. Espero que possamos usar os tratamentos em larga escala dentro de cinco anos”, diz Gary Steinberg, coordenador do trabalho. Na edição de fevereiro da revista Blood, órgão oficial da Sociedade Americana de Hematologia, outra notícia animadora. Cientistas americanos, alemães e tailandeses demonstraram pela primeira vez que as embrionárias são capazes de gerar células do sistema de defesa do corpo. Há ainda experiências transformando as estruturas em neurônios, em células cardíacas, ósseas e até em células produtoras de insulina. Se essas últimas se mostrarem eficientes em seres humanos, será uma revolução na forma de tratar a diabete. Afinal, a doença é caracterizada pela dificuldade de o corpo produzir ou absorver a insulina, o hormônio que abre as portas da célula para a entrada da glicose. Ao aprimorar a fábrica de insulina, o controle da enfermidade certamente será melhor.
Fonte: Revista ISTOÉ: Cilene Pereira, Greice Rodrigues e Sérgio Pardelas
Não tenho nem como explicar minha alegria diante dessa decisão do STF. Só quem vive a angústia de ter uma doença incurável ou quem tem algum tipo de paraplegia, ou ainda um pai ou uma mãe que tem um filho nessas condições, é que pode imaginar como me sinto agora.


















