
O que é isto?

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Palavreando...
Sexta-feira , 30 de Novembro de 2007
É fácil julgar ao invejar
Por Solange Pereira Pinto
Domingo, dia de culto, dia de missa, dia de Faustão, eu estava passeando pelo Café com Letras e encontrei 'O bispo' em primeiro plano no balcão do caixa. Confesso que sempre tive preconceito relacionado à Universal, aos evangélicos, aos carolas, aos fanáticos religiosos de qualquer espécie. Aliás, fazendo a famosa mea-culpa: aversão a qualquer fanatismo que não fosse o meu.
Contudo, no caso Edir, eu não sabia a outra versão. Nos dias de hoje é muito fácil se formar uma opinião apenas por um lado da história. Vence a mídia que você mais acessa, mais participa, mais lhe atinge.
Quero dizer com isso que a interferência dos grandes meios de comunicação de massa (MCM) "pautam" nossas idéias, nossos pensamentos e até nossas atitudes (ou principalmente, o que é pior). TV, rádio, internet, jornais...
Porém, minha curiosidade é bem maior do que o meu preconceito e sempre será. Eu boto a cara e quero chafurdar na realidade vista diretamente pelos meus olhos. Comprei o livro (estava ansiosa pelo lançamento). Especular a vida do Edir Macedo, em sua biografia autorizada, foi um prazer. Nem tanto pela leitura, que, apesar da escrita fluente, da excelente diagramação e tipologia, peca por repetir demais. Eu li, eu gostei.
Mas Levei um susto! Embora se tenha em mão um exemplar do "olhar do outro" (no caso o dos autores da obra) dá para se refazer conceitos. A notícias que todos temos, pela mídia "global" (imperial e católica de carteirinha) é que o bispo é, em resumo, charlatão e estelionatário.
Vejamos: qual igreja, religião, não é chartalã e estelionatária? Simples: aquela em que acreditamos! Para os ateus o ateísmo, para os budistas o budismo, para os católicos o catolicismo. Dai a César o que é de César...
Todas as cristãs, praticamente, prometem milagres, cura, um pedaço do céu, a salvação do inferno, realização de promessas etc. Todas pedem uma "oferta", "oferenda", "dízimo", "contribuição" etc.
É o câmbio da salvação: pague e (um dia) terás!
Óbvio que há quem "pague" com dinheiro! A maioria decerto. Há quem pague com doações patrimoniais, alimentos, trabalho voluntário. Uma "ajudinha" daqui e outra dali.
Questionar os "pagamentos" feitos à igreja católica, por exemplo, não entra em cena. Por quê? Estamos acostumados! Simples assim.
Nossa cultura tem base católica e seus dogmas estão profundamente arraigados em nossas atitudes "cristãs". Mas ela prega o sacrifício, o voto de pobreza, o celibato.
O catolicismo prega a miséria, eu diria.
Eu que fui batizada, fiz primeira comunhão e crisma, aprendi, em síntese, a me sentir culpada. Sentir culpa de transar. Sentir culpa de ganhar dinheiro. Sentir culpa de ambicionar conforto. Sentir culpa de viver com os prazeres "da carne e da grana".
Lucrei frustrações e culpas que até hoje estão impregnadas no "automático" de minhas ações (claro que quando percebo mudo o rumo imediatamente). Ser "humilde", dar a outra face e carregar a cruz me foi ensinado. Vida de "penitências", de "pai-nosso" automático, de 230 aves-maria!
Sim. Nas outras também existem dogmas, submissões e blablabla. É por isso que jogar as pedras no Edir Macedo se torna um pouco ridículo. O papa é pobre? Come pão velho e água? Veste roupa de feira? Não, o papa é nobre! E o Edir é o papa da Universal.
Não, eu não me tornei evangélica. Continuo sem religião, entretanto não aprecio injustiças midiáticas advindas de visões rasas.
Acontece que os neo-evangélicos invadiram a praia e tomaram o terreno monopolizado da Igreja Católica. Isso sacudiu. Abalou. "Almas" foram "perdidas" para a concorrência. Lembremo-nos que estamos no capitalismo globalizado. Perder fiéis significa perder poder, que significa perder dinheiro, bens etc.
continua...
É fácil julgar ao invejar
Acusam o Edir de atentar contra a "fé pública". Nada diferente, na minha opinião, do que faz a publicidade de celulares e os noticiários da TV que miram a câmera e editam precisamente as imagens que "devemos" ver... Ah, e o Congresso Nacional, o Executivo, o Judiciário, os padres pedófilos, as freiras autoritárias, as religiosas que usam Gucci... de uma lista sem-fim não escapam às distorções.
A Folha On-line acusa o jornalista Douglas Tavolaro (autor do livro) de ser "parcial", pois foi pago por seu patrão Edir para escrever...
Digam-me, então, sobre a mídia. Diariamente ela atenta contra o público ao selecionar as "matérias" que vão ao ar e mais, todos jornalistas são pagos por seus patrões para escrever e por isso parciais, não é mesmo? Ou neste caso há dois pesos e duas medidas? (adoro usar clichês em assuntos clichês).
Voltando ao livro "O Bispo". A obra mostra o que pensa Edir. Sim, o que Edir quer mostrar sobre ele. Sim, o que Edir assume como sendo "ele". Sabe, vi um Edir sincero. Autêntico. Posso dar meu testemunho: ele prega e dá exemplo! Ele quebra o paradigma da massa pobre, coitada, carente, sem eira, sem auto-estima, penitente, dócil.
Edir sacode a massa e chama, clama, à ação!
Ontem fui em um culto evangélico, como o São Tomé - ver pra crer -, percebi que o que lá acontece é uma verdadeira terapia popular e o dízimo é o seu pagamento. Fundadores de terapias, de religiões, de seitas é que ditam as regras, né! Muitas vezes o que se muda é apenas o nome das coisas, vamos usando sinônimos e criando palavras novas. Roupagem diferente para antigas ações.
Lembrando de outros métodos, quem conhece a psicanálise sabe o quanto é importante o investimento do paciente em sua cura e isso, necessariamente, passa pelo metal. Em psicanálise o dinheiro (o valor da consulta paga ao psicanalista) faz parte da terapia. Se investe tempo e grana!
Se temos, hoje, consultas terapêuticas custando em média R$ 120,00 (por uma hora), em se tratando de dízimo equivaleria a um salário mensal de R$ 4.800,00. Então, quem ganha um salário mínimo poderia pagar cerca de R$ 40,00. Essa é a conta! Um "culto-terapêutico" fica na ordem de R$ 10,00 para quem ganha R$ 400,00. E, ainda, com direito a duas horas e meia de tempo, com direito a música (lembram do couvert de bar? mínimo R$ 3,00 por pessoa), interação grupal... E, mais, elevação da auto-estima pela fé! "Tudo pode quem nele crê".
Eu li num comentário que: "crente" é quem "crê" mas não se diz em "quê".
Crer é crer e dar o dízimo é crer e dar a oferta é crer. Jogar flores e champanhe para Iemanjá é crer (e poluir o meio-ambiente). Comer hóstia é crer. Rezar terço é crer. Ser voluntário (mão-de-obra grátis) é crer. Fazemos o que acreditamos que irá ajudar em nossa crença. Ler Saramago é crer. Ler boa literatura é crer nas possibilidades da arte e do intelecto.
Crer é crer. Dar crédito.
Edir Macedo crê no que diz. Seus fiéis também. O problema dele é ser claro. Ele é a favor do aborto e diz que é. Ele apóia o uso de camisinha, o controle da natalidade, o conforto, a riqueza material e espiritual. Ele é contra um monte de coisas também. Quem não é...
Os templos da Universal são requintados, confortáveis, suntuosos. O dinheiro dos fiéis é reinvestido em cadeiras macias, em piso nobre, em ar-condicionado, em pagamento de "salários". Algums padre trabalha de graça? Algum profissional quer trabalhar de graça?
Edir mostra que o que é bom, é bom, e deve ser para todos e não para poucos. Todavia não é parado que se conquista! Edir é movimento. É modelo.
Por fim, prefiro um Edir Macedo que conscientiza milhões de pessoas da "massa" (que deixam de ver TV apenas) para por a mão na massa e mudar de atitude. Ele prega que não se tenha filhos, pois o mundo já está lotado. Ele prega a adoção. Ele prega o não uso de drogas. Ele prega a união da família. Ele prega valores cristãos e capitalistas.
Ele é atual e prega para uma sociedade atual.
E, no final, como qualquer profissional, como qualquer terapeuta, ele ganha por isso. É injusto?
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A guerra da TV Globo Católica com a TV Record Evangélica está no começo. Talvez, a sociedade se equilibre mais.
Se a TV Record foi comprada com dinheiro "ilegal", a TV Globo também e outras tantas mídias, rádios, afiliadas bláblábla...
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Segunda-feira , 26 de Novembro de 2007
Deusas modernas
Por Simone Muniz
Pesquisadores e psicólogos afirmam que interpretar a mulher a partir das deusas gregas pode dar uma visão mais ampla sobre o universo feminino.
Deseja entender a natureza e a sexualidade feminina? Estude mitologia. Pesquisadores e psicólogos acreditam que interpretar a mulher a partir das deusas gregas pode dar uma visão mais ampla do complexo universo feminino. Demeter, Hera, Artemis, Atenas, Coré/Perséfone, Héstia e Afrodite ajudam a isolar e identificar padrões comportamentais mais comuns a todas as mulheres.
Cada deusa corresponde a um papel na sociedade. Demeter, Deusa da Fertilidade, corresponde à mãe. Hera, do Casamento, à esposa. Artemis, Deusa da Caça, à competitividade e independência da irmã. Coré, Deusa da Juventude, representa o amor inocente de filha pela mãe. Tanto Perséfone, a Deusa da Morte e do Inconsciente, quanto Héstia, a Deusa do Centro, estão relacionadas à busca interior da anciã. Atenas, Deusa da Sabedoria, representa os esforços intelectuais e expressivos da filha em busca do amor do pai. Afrodite, Deusa da Paixão, simboliza o instinto sexual, que corresponde na sociedade ocidental ao papel de amante.
"Toda mulher tem em si um pouco de cada deusa", explica a psicóloga Marcia Portazio, autora de tese de mestrado Instituto de Psicologia da USP sobre os arquétipos das deusas gregas. O americano Joseph Campbell, estudioso de mitologia comparada e autor de, entre outros, "O Poder do Mito", afirma que os mitos "são a única maneira de descrever verdadeiramente o ser humano através de suas imperfeições". Eles facilitariam a adaptação e aceitação da morte, da sexualidade e de outros aspectos da condição humana. E, assim, ajudam a entrar em contato com o mundo através das emoções.
Cada deusa simboliza um padrão emocional inato. "Apesar de todos sermos capazes de sentir todo tipo de emoção, muitas vezes, grande parte delas permanecem escondidas. Só se revelam algumas deusas", explica Marcia.
Segundo a psicóloga Sílvia Rocha, as mulheres submissas aos papéis de mãe e esposa, na sociedade patriarcal, correspondem às deusas Demeter e Hera. Estruturou-se uma sociedade em que esses dois protótipos eram os mais importantes. E quando a mulher se prende a alguns modelos e esquece do seu todo, ela é tomada por muita frustração. "As Deusas que elas se negam a reconhecer dentro de si, tomam-se de vingança nos sonhos e outros fenômenos inconscientes, desencadeando instintos adormecidos que parecem ficar fora do controle da mulher", completa Silvia.
Os mitos seriam, então, uma lembrança que a realidade é mais ampla. As histórias revelam outras facetas da mulher, como a sensualidade de Afrodite, a independência e o lado selvagem de Artemis e a inteligência de Atenas ou Minerva.
Se o padrão antes da revolução feminina era de mãe e esposa, hoje, a classe média brasileira, segundo pesquisa de Márcia, esbanja característica de Atenas, Deusa da Sabedoria, ligada no lado intelectual e que pouco explora o casamento, a maternidade ou a própria sexualidade. A mesma pesquisa constatou que poucas mulheres se identificam com o lado Afrodite.
Marcia explica que, caso as mulheres queiram viver intensamente, precisam acordar as deusas 'adormecidas' - ou melhor, menos visíveis -, em si mesmas. "O ideal, para conseguir uma vida plena de emoções, é se libertar e ir além dos padrões de comportamento que se acredita ser", explica Marcia. "A maioria das mulheres só tomam como sua uma estreita gama dos potenciais femininos", explica Sílvia Rocha no artigo. Elas são muito mais do que isso. Elas reúnem um pouco de cada uma das deusas.
Marcia Portazio recomenda: "é mais feliz quem consegue misturar as características de cada uma delas, em um equilíbrio de forças". Viajar em histórias ajuda a refletir e equilibrar as emoções. Ela lembra que a lição não se restringe às deusas gregas. Vale qualquer mito. Harry Potter, Homem-Aranha, Senhor dos Anéis. Até a Astrologia trabalha com arquétipos. "Não há riscos de má-interpretação. Como toda história e como uma música, os mitos causam impactos emocionais. Se lido e ouvido com o coração, descobre-se muito sobre si mesmo"
Para ler:
A Deusa Interior, de J.B & Roger J. Woolger, Ed. Cultrix;
As Deusas e a Mulher, de Jean Shinoda Bolen, Ed. Paulus.
Texto publicado no site Maisde50
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Quando a última árvore cair,
derrubada; quando o último rio for
envenenado; quando o último peixe for pescado,
só então nos daremos conta de que
dinheiro é coisa que não se come".
(Índios Amazônicos)

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