Por Ana Cássia Maturano
Quando uma pessoa se casa, dificilmente pensa em se separar no futuro. Muitas levam até o fim a máxima "até que a morte os separe". Outras não resistem e acabam se separando. Alguns casais chegam ao divórcio depois de um relacionamento difícil e permeado de sofrimento. Nesses casos, embora possa parecer um alívio para os envolvidos, sempre há algum grau de sofrimento, principalmente quando o casal tem filhos.
Muitos casais persistem num relacionamento desgastado e ruim em prol da felicidade das crianças. Sem dúvida, para os filhos é melhor viver com ambos os pais, mas nem sempre isso é possível. No caso em que, insistindo no casamento, vive-se em um ambiente onde a discórdia reina, com caras feias e discussões, não sei se é o melhor. Penso que não.
Em situações como essa é comum surgir nos pequenos o sentimento de culpa. Imaginam que os pais estão brigando por algo que fez. Ou então, quando a separação se concretiza, têm um sentimento bastante parecido, culpando-se por isso. Claro que esse sentimento não é uma regra, mas é algo bastante encontrado. Muitos pais quando se separam, no intuito de proteger os filhos, não os esclarecem sobre os acontecimentos e não os preparam para a separação. Às vezes, a criança simplesmente descobre que o pai não está mais lá - em geral é ele quem sai - ou ouve a velha desculpa de que foi viajar.
Ora, a criança não é boba. Achar que ela nada percebe é ser, no mínimo, ingênuo. As crianças percebem muito do que se passa ao seu redor. Porém, ao não serem informadas dos acontecimentos reais, passam a criar teorias do que possa estar acontecendo. E aí o bicho se torna mais feio do que deveria.
Como já disse, não há separação sem sofrimento, principalmente para os filhos, embora muitas vezes signifique alívio. E a vida é permeada de sofrimento. No caso de um divórcio, o sofrimento pode ser amenizado, o que dependerá de como o casal conduzirá as coisas. O melhor é esclarecer as coisas para as crianças, evitando que teorias mirabolantes surjam em suas fantasias. Inclusive fantasias de abandono.
Ao perceberem que as coisas não vão bem e que tudo tende para uma separação, o melhor é ir comunicando para a criança, num tom ameno e não dramático, que o casal tem pensado em morar em casas separadas. E, é claro, evitar discussões na frente dela. É importante lembrá-la de que quem está se separando é o pai e a mãe e não os pais da criança: sempre serão seus pais. E embora um deles não irá morar mais em casa, ainda a ama muito e sempre estará junto dela.
Além disso, o casal deve manter um clima ameno antes e depois do divórcio, evitando comentários negativos do ex-cônjuge e evitando colocar a criança em situação de escolher entre um e outro, como se para amar um não pudesse amar o outro.
Falar de separação é algo que nos permite ir por muitos caminhos. Acredito, porém, que já há bons elementos para refletirmos sobre o assunto. O importante é fazermos com que a separação de um casal seja uma possibilidade de crescimento e busca de felicidade para todos.


















