Não existe amor perfeito

Por Janethe Fontes

 

 

Como seqüência ao tema do último artigo (complicações do amor), concluo que essa procura insana por uma “cara-metade”, por uma “alma gêmea”, é o que tem tornado homens e mulheres cada vez mais infelizes.

 

Não existe amor perfeito. Assim como não existe também a alma gêmea, o ser que nos “completa”. O ser humano é completo por si só, não precisa de “outro” para completá-lo. Esta é a grande verdade.

 

E, como diz uma citação bíblica, a verdade nos liberta. E mesmo que a verdade não nos liberte, ela evita a frustração. Acreditar que existe “um ser especial”, feito com exclusividade para cada um de nós, pode ser o caminho mais rápido para a dor, para o sofrimento.

 

Aprender a conviver com o “outro” e com suas limitações, suas carências e incompletudes, talvez seja o único caminho para a felicidade. Aliás, se o ser humano não é perfeito, como poderia o amor, um sentimento essencialmente humano, ser perfeito?

 

Pessoas perfeitas são desinteressantes, diz o mitólogo Campbell. Além do mais, elas não existem (há não ser no imaginário humano). Sendo imperfeitos, sonhamos com a perfeição possível. O amor é um desses sonhos românticos de perfeição. E essa é uma de nossas capacidades de sapiens-demens: capacidade de criarmos ilusões como verdadeiras realidades de nossa vida (trecho retirado do texto Imperfeição e Amor, de Ailton Siqueira).

 

Mas, mesmo imperfeito, o amor é importante para o ser humano. Afinal, viver simplesmente não basta. O amor é um grande e necessário sentimento a ser experimentado. E quem não ama não permite o sopro da vida pulsar dentro de si.  Como disse Cyrulnik, não posso me tornar eu mesmo a não ser pagando o preço do amor que me mutila. Portanto, amar e admitir isso exige coragem, determinação, confiança em si mesmo. Só ama aquele que se aceita, que se entrega a si, aceitando o outro como ele é.