Por Simone Muniz
A criatividade está, também, na convivência e nos detalhes que tornam o dia-a-dia mais prazeroso.
Peças, filmes, atividades culturais, exercícios físicos. É preciso permanecer ativo? As cobranças pipocam de todos os lados. Para amenizar a culpa por não atendermos a todas as expectativas criadas em torno do uso que fazemos do nosso próprio tempo, a solução é ser criativo. "Descobrir as próprias motivações e as habilidades é importante para realizar as atividades da melhor forma e não simplesmente se obrigar a fazê-las", explica a psicóloga Maria Helena Novaes, autora do livro Psicologia da Criatividade e coordenadora do Programa de Ativação Cerebral Criativo (P.A.C.C.) da PUC do Rio de Janeiro.
Criatividade não é apenas trabalhar com arte ou ter idéias que pareçam originais. "É também a busca de soluções cotidianas dos compromissos afetivos, financeiros, sociais", define a professora e pesquisadora. Pode-se inovar ao preparar uma receita culinária, tomar uma decisão profissional importante ou em descobrir um novo hobby. "É saber expressar o que tem de melhor em si. E conseguir reorganizar a realidade", explica a psicóloga.
Nesse sentido, a socialização tem papel fundamental para fazer a criatividade brotar. "Muita gente pensa que criatividade nasce nas formas de expressão, como na música, na colagem, no desenho. É preciso desligar um pouco o eixo e ser criativo na convivência e também ao buscar novos contatos".
De acordo com ela, não basta as novidades como programas culturais e atividades físicas baterem à porta. É preciso adaptá-las. "Criatividade depende de três fatores interligados: receber a oportunidade, estar disponível para ela e descobrir em si o potencial para realizá-la", classifica. E disponibilidade não significa apenas ter tempo e dinheiro para estar com alguém ou realizar uma atividade. "É abertura, curiosidade, desejo", define Maria Helena.
Porém, com a cobrança por estar em constante atividade, as pessoas estão aprendendo a fazer da busca pela criatividade uma ânsia. A influência dos relacionamento sociais e do que acontece na vida pública, ou seja, na mídia, na economia e na política, também contribuem para essa angústia pelo novo. "Aumentam as expectativas por soluções milagrosas", admite.
Uma das soluções para abrandar essas cobranças internas é o estímulo ao diálogo entre diferentes, por exemplo, a livre-expressão e a troca entre gerações. "Ao compreender as diferenças, percebe-se que cada qual tem sua importância no processo criativo. Fica mais fácil aceitar o próprio papel, tomar decisões e deixar as idéias emergirem", conclui a psicóloga.
Nota: A criatividade é um dos temas em discussão na oitava edição dos Encontros de Internautas Maisde50, em Paraty, de 31 de agosto a 2 de setembro de 2007. Para fazer inscrição e garantir sua vaga, escreva um e-mail, telefone ou faça uma visita para conhecer a equipe Maisde50.


















