
O que é isto?

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Palavreando...
Sexta-feira , 29 de Setembro de 2006
Felicidade
Por Janethe Fontes
O assunto é pertinente, porque, de uns tempos para cá, parece reinar a ditadura da felicidade, onde temos de parecer felizes o tempo inteiro, como se a felicidade fosse um estado permanente da alma. É como se não houvesse dor, ansiedade, medo ou quaisquer outros sentimentos tão comuns à alma humana.
O mundo me assombra e intriga
E eu fico perplexa ante a vida:
Nascer!... Viver!... Existir!... Morrer!...
E não importa o grau de dor, ansiedade ou inquietação que você esteja vivenciando, é preciso sempre apresentar uma aura cintilante, emanar alegria, para não infectar os outros com suas chatices e melancolias. É proibido não ser feliz. É proibido ficar triste. Por isso, sorria. Sorria sempre. Sorria mesmo quando a dor ou inquietação contorcer suas entranhas sem dó ou piedade. Afinal, ninguém deve saber do seu real estado de espírito, não é mesmo? A platéia espera por seu espetáculo, a platéia cobra que você seja feliz. A família, os amigos, a sociedade em geral e até você mesmo cobra isso. É a ditadura da “felicidade permanente”, cujo princípio ignora por completo que o sofrimento é um dos canais para o crescimento espiritual.
Tenho momentos longos de fadiga
Ao pressentir no coração uma ferida
De tanto perquirir a razão do meu viver.
Mas o pior é que na ilusão de que é possível atingir esse estado permanente de felicidade, muitos mergulham num poço cada vez mais fundo de depressão, pois não compreendem que toda essa ansiedade por ser feliz a qualquer custo, de qualquer forma, apenas as afasta do que é verdadeiro, do que é real, e elas não conseguem desfrutar de pequenas coisas, mas que trazem verdadeira alegria.
Além disso, o desespero em fugir à dor, à realidade da vida, pode acarretar até mesmo em suicídio, explica o psicólogo americano Steven Hayes em entrevista à revista Veja: “Muitos suicídios são um último esforço para acabar com a própria dor. Em seis de cada dez casos os suicidas deixam escrito, em bilhetes, que não agüentavam mais sofrer. Há uma mensagem nisso tudo: evitar os sentimentos dolorosos é rejeitar a própria vida. Aceitá-los como parte da existência é a melhor atitude.”
Viver como eu vivo, como nós vivermos,
Tendo dias de sol, de chuvas e trovoadas,
De risos, lágrimas e sofrimento...
"As artimanhas que usamos para escapar da aflição nos desviam de nossos objetivos de vida. E é por eles que vale a pena viver", diz ainda o psicólogo Steven Hayes.
Nota: Poesia de Neuza Rodrigues Leonel - Livro Vozes do Coração.
Quarta-feira , 27 de Setembro de 2006
Eleições e o voto nulo
Por Simone Balliari
As eleições estão chegando e corre um boato pela internet e outros meios de comunicação sobre a anulação da eleição, caso haja um grande número de votos nulos e brancos. Porém a coisa não é bem assim: segundo o site Quatro Cantos “a diferença entre voto nulo e voto em branco não é muito significativa. Nenhum deles é capaz de anular eleição e sua distinção é uma filigrana jurídica. Há quem afirme que o voto em branco legitima o sistema político-partidário enquanto que o voto nulo significa votar contra todos.” Acontece que para se ter a validade destes votos em brancos e nulos teria que haver uma ciência do leitor reconhecendo que ele votou em branco e qual o motivo, uma vez que segundo o TRE de São Paulo “Os votos brancos e nulos são subtraídos de todos os cálculos para a totalização dos resultados”. Desde a Lei 9.504/97, que vigorou a partir das eleições de 1998, que o voto branco não é considerado para o cálculo do quociente eleitoral. A diferença é que voto nulo é atribuído a um candidato inexistente vindo da decisão pessoal do eleitor e nulidade da eleição é quando parte do TSE, sendo que voto nulo não anula eleição, mas o que anula uma eleição é uma das ocorrências descritas nos artigos 220 a 222 da Lei nº 4737, de 15 de julho de 1965 que institui o Código Eleitoral:
Capítulo VI
Das nulidades da votação
...
Art. 220. É nula a votação:
I - quando feita perante mesa não nomeada pelo juiz eleitoral, ou constituída com ofensa à letra da lei;
II - quando efetuada em folhas de votação falsas;
III - quando realizada em dia, hora, ou local diferentes do designado ou encerrada antes das 17 horas;
IV - quando preterida formalidade essencial do sigilo dos sufrágios.
V - quando a seção eleitoral tiver sido localizada com infração do disposto nos §§ 4º e 5º do art. 135. (Incluído pela Lei nº 4.961, de 4.5.1966)
continua...
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[Continuação de Eleições e o voto nulo]
Art. 221. É anulável a
votação:
I - quando houver extravio de
documento reputado essencial; (Inciso II renumerado pela Lei nº 4.961, de
4.5.1966)
II - quando for negado ou sofrer
restrição o direito de fiscalizar, e o fato constar da ata ou de protesto
interposto, por escrito, no momento: (Inciso III renumerado pela Lei nº 4.961,
de 4.5.1966)
III - quando votar, sem as
cautelas do Art. 147, § 2º. (Inciso IV renumerado pela Lei nº 4.961, de
4.5.1966)
a) eleitor excluído por sentença
não cumprida por ocasião da remessa das folhas individuais de votação à mesa,
desde que haja oportuna reclamação de partido;
b) eleitor de outra seção, salvo a
hipótese do Art. 145;
c)
alguém com falsa identidade em lugar do eleitor chamado.
Art. 222. É também anulável a
votação, quando viciada de falsidade, fraude, coação, uso de meios de que trata
o Art. 237, ou emprego de processo de propaganda ou captação de sufrágios vedado
por lei."
...
Art. 224. Se a nulidade atingir
mais de metade dos votos do país nas eleições presidenciais, do Estado nas
eleições federais e estaduais ou do município nas eleições municipais,
julgar-se-ão prejudicadas as demais votações, e o Tribunal marcará dia para nova
eleição dentro do prazo de vinte a quarenta dias.
§ 1º Se o Tribunal Regional, na
área de sua competência, deixar de cumprir o disposto neste artigo, o Procurador
Regional levará o fato ao conhecimento do Procurador-Geral, que providenciará
junto ao Tribunal Superior para que seja marcada imediatamente nova
eleição.
§ 2º Ocorrendo qualquer dos casos
previstos neste capítulo, o Ministério Público promoverá, imediatamente, a
punição dos culpados.
Vale lembrar aos leitores do nosso
blog que no dia 1º de outubro temos que estar conscientes de nossos votos,
afinal, como diz o velho ditado “é o futuro do país em nossas mãos!”. O voto é
um direito nosso conquistado ao longo de toda uma história e não uma obrigação.
Vamos usar este direito nosso de forma clara e concisa para que possamos mais
tarde cobrar dos candidatos melhores resultados!
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Importante
VOTE. MAS VOTE CONSCIENTE. Consulte, investigue seus
candidatos:
Jornal Folha de S.Paulo - Veja quem
são os acusados na fraude das ambulâncias, quanto receberam de propina pelo
esquema (segundo Luiz Vedoin, um dos chefes da quadrilha) e quem é o relator de
seu processo no Conselho.
Excelências - Este serviço é oferecido com a intenção
de proporcionar ao visitante informações recolhidas em bancos de dados públicos
a respeito de candidatos à Câmara dos Deputados nas eleições de 2006. A intenção
é propiciar ao eleitor uma decisão mais informada sobre seu voto para deputado
federal.
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Domingo , 24 de Setembro de 2006
Cicarelli, orgasmos e hipocrisias
Por Solange Pereira Pinto
Será que cada um sabe mesmo de si? Parece que não. Procuram saber mais a respeito dos outros. Quantos estão realmente preocupados em ter prazer, ser feliz, gozar a partir da própria vida?
Lendo os comentários, das inúmeras matérias sobre o vídeo do casal na praia espanhola, vejo que sempre a vida estará dividida em times. O mundo parece feito de torcidas. De rivalidades. Cada torcida, óbvio, defende ardorosamente seu time. Ultrapassando o futebol, passando pelo sexo, dinheiro e poder. Ampliando tabus. Eta vaidadezinha humana! Inveja é uma merda publicam os pára-choques de caminhões.
Puritanos, cínicos, calhordas, beatas, reprimidos – todos com telhados de vidro – levantando bandeirinhas de "bons-costumes", do "atentado ao pudor", do "pecado", da "família cristã", dos "execráveis pagãos". Para quê? Racionalidade? Afinal, quem prova que somos assim tão "civilizados"? " Vá cuidar da sua vida/ Diz o dito popular/ Quem cuida da vida alheia/ Da sua não pode cuidar", canta Itamar Assunçao.
Essa coisa de separar o mundo em bem e mal é uma coisa cansativa. Produzir julgamento parece o passatempo mais praticado dos seres humanos. Enforca? Mata? Esfola? Lincha? Marginaliza? As classes dos que são bons e dos que são maus. As divisões, os separatismos, dos "donos da verdade". Em tela critérios pessoais somados ao senso comum caminhando pela falta do que fazer ou dizer de produtivo. Mediocridade mesmo! Mesquinharia!
Além de se esgotar na net atrás do vídeo "Cicarelli transa no mar", alguém tem lido algo produtivo? Quem sabe "Memórias de minhas putas tristes" ( Gabriel García Márquez), ou se basta com o "Veneno do Escorpião" (Bruna Surfistinha), ou o agora recém-lançado "Depois do escorpião" (Samantha Moraes)? Melhor ler "Quem"... Ai , ai, ai...
Bem que a discussão poderia se elevar. Mas não. É preciso dizer se Cicarelli é menina de bons princípios ou vagabunda. É preciso dizer que mulher que goza e tem tesão não é lá essas coisas. É preciso dizer se a celebridade pisa na bola ou se bate um bolão. É preciso olhar para o outro e apontar o dedo, para esconder as próprias mazelas. É preciso se investir diariamente de juiz para rotular, botar no banco informal dos réus, sacanear o outro e elevar a própria e falida moral.
Toscos. É o que somos. Urubus de vilezas. Açougueiros de plantão. Dublês de matadores de aluguel. Piratas da felicidade alheia. As músicas, os livros, os semanários, as novelas, os noticiários, os fotógrafos, os vídeos-amadores estão aí para mostrar quem realmente somos nós.
Afinal, todo mundo quer saber com quem você se deita, nada pode mesmo prosperar. A música de Caetano "Luz de Tieta" é perfeita para o caso Cicarelli. Mas, o povo quer mesmo é ver o naufrágio do Titanic para contabilizar mortos, lamber as carniças e chupar os ossos, acreditando-se deuses, para além do bem e mal, imortais. Eu, particularmente, ainda prefiro um orgasmo com quem se queira nas ondas do mar, para que a vida não fique tão estreita.
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[Continuação de Cicarelli, orgasmos e hipocrisias]
A luz de Tieta
Caetano Veloso
Todo dia é o mesmo dia
A vida é tão tacanha
Nada novo sobre o sol
Tem que se esconder no escuro
Quem na luz se banha
Por debaixo do lençol
Nessa terra a dor é grande
E a ambição pequena
Carnaval e futebol
Quem não finge, quem não mente
Quem não goza e pena
É que serve de farol
Existe alguém em nós
Em muitos dentre nós
Esse alguém
Que brilha mais do que milhões de sóis
E que a escuridão conhece também
Existe alguém aqui
Fundo no fundo de você, de mim
Que grita para quem quiser ouvir
Quando canta assim:
Toda noite é a mesma noite
A vida é tão estreita
Nada de novo ao luar
Todo mundo quer saber
Com quem você se deita
Nada pode prosperar
...
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Quando a última árvore cair,
derrubada; quando o último rio for
envenenado; quando o último peixe for pescado,
só então nos daremos conta de que
dinheiro é coisa que não se come".
(Índios Amazônicos)

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