
O que é isto?

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Palavreando...
Sexta-feira , 04 de Agosto de 2006
Geração X – Adulto com jeito de adolescente
Por Janethe Fontes
Há algum tempo atrás, esperava-se que com avanço da idade as pessoas mudassem seu comportamento, tornassem-se mais caseiras, mais sisudas. Mas uma nova geração de trintões (estou inclusa nessa), quarentões, cinqüentões e até mesmo sessentões tem mostrado que é possível envelhecer sem perder o vigor e a “juventude”. Essa nova geração, porém, não pode ser confundida com os “adultescentes”, ou seja, com aqueles marmanjões que se recusam a sair da casa dos pais ou com aqueles coroas que tentam parecer meninos, tipo Tio-Sukita. Muito pelo contrário disso. Essa nova geração, que nos Estados Unidos recebeu o apelido de “grup”, uma contração de grown up (adulto), tem responsabilidades normais – trabalho, casamento, filhos. No entanto, tem visual e até mesmo hábitos de adolescentes, isto é, usam tênis e roupas descoladas, são fissurados por aparelhos eletrônicos tipo: iPodi, câmera digital, palm e etc, curtem bandas alternativas e até freqüentam casas noturnas.
“É uma nova forma de ser adulto”. Afinal, segundo o IBGE, a expectativa de vida do brasileiro aumentou de 66 anos para 71. Portanto, um sujeito de 40 anos hoje tem pelo menos três décadas de vida útil, se tudo correr bem.
Com o aumento da expectativa de vida, as fases está sendo redefinidas, diz a psicoterapeuta Lídia Rosenberg Aratangy em entrevista à revista Época.
Mas não é só isso, pois, segundo Janelle Wilson, socióloga americana e autora de um dos mais completos estudos sobre os adolescentes, essa geração, denominada de A Geração X, cresceu com uma nova realidade social. Muitos eram filhos de pais separados, viviam em casa em que homem e mulher trabalhavam fora. Assistiram ao início da decadência dos antigos padrões sociais e não têm medo de jogá-los para o alto. Além disso, diz Janelle, eles sempre tiveram contato com as novas tecnologias. A maioria nasceu depois da chegada do homem à Lua (1969), viu surgir o videocassete e o computador pessoal. E tudo isso se reflete no comportamento dos grups.
Apesar de toda essa mudança de comportamento, porém, não pense que os grups não exigem que os filhos avisem se vão chegar tarde em casa, tirem boas notas no colégio e diminuam o volume do som no quarto, viu? Afinal, como foi dito no início, os grups são pessoas que têm apenas jeito de adolescentes, mas são ADULTOS! (risos).
Fonte(s): Revista Época
Quinta-feira , 03 de Agosto de 2006
Um convite ao
raciocínio
Por Elida
Kroning
Não sei quanto a vocês mas tenho
certeza que os verdadeiros fãs da literatura, tanto os apenas leitores quanto os
escritores, hão de concordar comigo: autor desconhecido não existe!
Já desisti de abrir mensagens de
Charles Chaplin, Shakespeare, Mario Quintana, Fernando Pessoa, Drummond, Arthur
da Távola, entre outros que chegam por e-mail. Por que? Porque a maioria dos
textos que circulam como sendo desses escritores não foram escritos por eles.
Optei por não envenenar minha cabeça com erros crassos cometidos por boçais sem
o menor pudor de assinarem ignorante na testa. Se eu quiser ler Arthur da
Távola, vou direto ao site dele: http://www.arturdatavola.com/. Para ler as obras de autores
consagrados e/ou já falecidos a melhor opção é a biblioteca virtual que,
disponibiliza vários títulos que estão em domínio público: http://www.dominiopublico.gov.br/. Uma outra excelente opção
são os sites direcionados para a literatura, não vou citar nenhum porque são
muitos e acabarei sendo injusta se esquecer de comentar sobre algum - googlando
um pouquinho, vai achar uma lista enorme desses sites.
Alguém aí tem alguma crítica a
fazer sobre a cultura do povo brasileiro? Concordo que o governo devia dar mais
valor e respaldo à nossa cultura, que as escolas não estão cumprindo direito seu
papel, que a cultura é a própria identidade de um povo e tudo o mais que
acredito que vocês tenham a dizer sobre o assunto - assino embaixo.
Reclamar é realmente muito fácil,
basta abrir a boca. Não deve ser por acaso que nascemos berrando com toda força
dos pulmões. Raciocinar exige um pouco de inteligência. Fazer as coisas de modo
correto exige inteligência, coragem, discernimento e força de vontade. São
características pra poucos. O caminho certo nunca é o mais fácil e a preguiça
crônica do brasileiro termina por piorar o que já está péssimo.
O pior erro ao reenviar uma
mensagem é a preguiça. Temos preguiça de verificar a procedência de links,
preguiça de verificar a veracidade nos alertas de vírus, preguiça de colocar os
devidos pontos nos "is". Se não fosse nossa preguiça crônica (e burra!), não
teríamos passado por tantos problemas com o Orkut, não é verdade? Esses
probleminhas de invasão e clonagem de perfil perturbaram bastante. Sem querer
pender para o exagero, acredito que nem teríamos problemas com pragas virtuais
se não fôssemos tão preguiçosos.
Sabe o que realmente me incomoda?
Ouvir por aí frases como "todo mundo faz, também vou fazer". O perigo por trás
do sentido dessa simples frase é maior do que podemos imaginar. Analisando
direitinho, demonstra de cara, uma personalidade do tipo vaquinha de presépio.
Mais um pouquinho e chegamos à conclusão de que basta colocar a maioria para
fazer uma m*, que todos vão querer imitar. E imitamos! O artista tal fala um
absurdo e o que acontece no dia seguinte? Todos repetem sem a menor parcimônia,
concordam sem nem saber direito o que estão repetindo. E não é assim que
funciona o nosso país? Alguma dúvida, leia a coluna política de seu jornal
favorito. Se tiver sem saco pra verificar, pense um pouquinho sobre a moda,
somos ou não somos um bando de vaquinhas de presépio imitando as tendências
ditadas por A ou B? Tem gente que chega ao absurdo de comprar o que não gosta
porque agora só se usa isso, está todo mundo usando...
Antes que eu fuja do objetivo
deste artigo, gostaria que conhecessem um blog que esbarrei por acaso, de
Vanessa Lambert. Ela trata justamente do ilustre autor desconhecido. Não é à toa
que o blog tem o nome de Autor Desconhecido. Tem um link à esquerda do blog, embaixo
que tem este título e onde Vanessa explica o que a motivou a abrir o blog.
Querendo ir direto, o link é este: http://www.autordesconhecido.blogger.com.br/2005_03_01_archive.html#desconhecido.
continua...
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continuação...
Direito Autoral não foi criado só pra fazer bonitinho ou pra dar mais trabalho. Se você faz suas tarefas de maneira eficiente e um colega de trabalho recebe os elogios por isso, você não vai gostar. Se você deu à luz a um bebê e depois vê outra mulher liando o seu bebê como se fosse dela, você não vai gostar nem um pouco. Quando alguém fura o seu lugar na fila principalmente quando está com muita pressa, tenho certeza que você não vai achar isso nada bom. Quando o trabalho de um artista não é reconhecido ou divulgado erroneamente como sendo de outra pessoa, estamos agindo como nos exemplos que citei. Um ladrão é um ladrão independente da quantia que ele se apodera, pode ser um centavo ou um milhão. Pegar as coisas do amigo sem avisar, só porque é um amigo faz de você um ladrão, mesmo que sua intenção não seja essa - seja o que for: foto, roupa, bijuteria...
Lembra daquele ditado que diz não faça aos outros o que não quer que façam a você? Até aonde você o aplica?
Costumo dizer pro meu filho quando ele reclama que estou dando bronca ou brigando muito, mas, se ele quiser que eu pare de reclamar, é só ele fazer as coisas da maneira correta. Se ele continua errando em coisas que já está careca de saber como se faz, é porque gosta de me ouvir reclamando. Pra mim, não tem lógica mais clara que essa. Se sabemos fazer o certo, porque insistimos tanto em fazer as coisas de forma errada? Só porque todos estão fazendo? Qual a vantagem disso? Por que temos tanta facilidade de imitar ações consideradas erradas em detrimento das corretas - éticas e morais? Talvez seja porque todo mundo faz assim. Haja saco pra tanta vaquinha de presépio!
Quer saber? Vou encerrar por aqui. Deixo com você a tarefa de pensar sobre o assunto. É um bom começo para começar a ser grande.
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Quarta-feira , 02 de Agosto de 2006
Zuzu Angel – Quem é essa mulher?
Por Janethe Fontes

Estréia esta semana nos cinemas o filme Zuzu Angel, que conta a saga da famosa estilista mineira contra os órgãos da ditadura militar após a prisão e a morte de seu filho, Stuart Angel.
Zuzu desconhecia que seu filho era um militante estudantil que lutava pela revolução socialista ao lado da mulher Sônia Angel. Até o dia em que recebe um telefone de algum desconhecido, que dizia que Paulo (como Stuart era conhecido no movimento) estava preso.
É a partir deste momento que começa sua luta em busca de Stuart nos quartéis do Rio de Janeiro, mas ele é dado como desaparecido político pelo Centro de Informações e Segurança da Aeronáutica - CISA. A intuição de mãe lhe diz que tudo é uma farsa, e com a ajuda de suas amigas e de um advogado descobre que Stuart foi preso, torturado e morto.
Durante cinco anos, a figurinista lutou para encontrar o corpo de do filho e enterrá-lo dignamente. Mas, sua cruzada terminou na noite de 14 de abril de 1976, quando seu carro foi jogado na saída do Túnel Dois Irmãos, no Rio, e ela teve morte instantânea. Na época, o governo divulgou que havia sido um acidente e que ela teria dormido ao volante, fato contestado anos depois. Hoje, o túnel leva o nome Zuzu Angel. O corpo de Stuart nunca foi encontrado. Acredita-se que foi jogado ao mar, como o de outros presos políticos da época.
Zuzu Angel denunciou a ditadura por meio de sua moda. Depois da morte de Stuart, se vestiu com roupa preta, um cinto cheio de crucifixos, véu e um anjo pendurado no pescoço. Num desfile em Nova York, colocou faixas de luto nos vestidos, fez bordados de tanques, com pombas negras, anjos e crianças presas. Foi a primeira a fazer protesto político na história universal da moda.
"Eu não tenho coragem, coragem tinha meu filho. Eu tenho legitimidade".
Zuzu Angel
Cooperação: Simone Balliare
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Domingo , 30 de Julho de 2006
BOEING-BRASIL
Em caso de despressurização... há saídas de emergência sobre as asas
Por Solange Pereira Pinto
Brasília pode ser lembrada por seu avião com assentos de primeira classe, executiva e econômica. Diariamente se luta por vagas na terra seca do planalto central e no Brasil continental. Contudo, em época de vacas mirradas, socialmente falando, e de um povo sedento por um leitinho, há uma disputa que envolve milhões de "gentes e dinheiros". Esse fenômeno competitivo é aparentemente salutar, se visto pelo ângulo da tentativa democrática. Mas...
As vagas "da hora" são as de primeira classe. Aquelas bem perto do piloto, do comando, onde há o serviço de bordo com requinte, champanhe, pratos e talheres de verdade. Com direito a sobremesas de renomados chefes.
Mais de dez candidatos por vaga é a estimativa do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para o preenchimento das 513 vagas da Câmara dos Deputados para este ano. São Paulo lidera a lista com mais de mil candidaturas e o Acre está na lanterna com 51.
Para o Senado Federal, onze candidatos concorrem no Distrito Federal por uma única vaga. Em todo o país, 225 candidatos concorrem a uma vaga no Senado, que este ano terá um terço (27) de suas 81 cadeiras renovadas - uma para cada estado. São Paulo é o estado que apresenta o maior número de candidatos, 19, seguido pelo Rio de Janeiro, com 17 candidatos. Acre, Tocantins, Amazonas, Espírito Santo e Rondônia apresentam o menor número de candidatos: cinco por estado.
Na comissaria de bordo tem gente disputando as partes nobres do avião. Do que servirá ao piloto até o que empurrará os carrinhos de bebidas e salgadinhos, são 208 concorrentes. Ser governador é uma boa pedida, e os candidatos estão convictos de que sabem todos os procedimentos de emergência em caso de pane (embora alguns sejam praticamente analfabetos).
Já a vaga de piloto da aeronave é disputada por apenas sete candidatos, o que prometer uma decolagem de às, sem muitas turbulências durante o vôo, e melhor pouso, talvez conquiste a insígnia de Presidente da República. Tem até gente oferecendo céu de brigadeiro como se possível fosse (parece que para competir a esse cargo tem que ser meio deus, meio santo).
Na parte traseira do avião, estão os lugares reservados para as vagas das assembléias legislativa e distrital, são mais de 13 mil candidatos. As restantes, da classe econômica, ficam para os outros afortunados, que ainda possuem alguma condição de disputa e barganha. Lá estão alguns profissionais e outras categorias.
Na busca do bilhete, que garante a vaga no vôo, estão palmo a palmo disputando – nos balcões de negócios – assessores, cargos comissionados, ministros, presidentes de estatais, banqueiros, empresários. Uma gama imensa de indivíduos tentando garantir sua viagem paradisíaca.
continua...
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continuação...
Enquanto se decide a lotação do boeing-brasil (enferrujado e sem manutenção), outras vagas são pleiteadas nas imediações. Longas filas se formam. É a plebe que mantém motores, troca o óleo, conserta turbinas, faxina os carpetes das orgias, limpa os banheiros, carrega as malas, abastece.
Lá estão, bem abaixo do horizonte, disputando vagas em hospitais, com alto número de candidatos por leito, internação, consulta, transplante. Outros competindo às vagas da aposentadoria. No fosso, as vagas para matricular crianças nas escolas públicas são concorridas quase a tapas, madrugada adentro. Vagas para emprego, vixe, melhor nem falar.
Há, também, outras buscas por vagas. Neste semestre, por exemplo, o curso de medicina teve uma demanda de 82 candidatos por vaga para o vestibular da Universidade de Brasília, seguido pela disputa de 45 em Direito e 26 por vaga para relações internacionais (faz-de-conta que todos os formados terão emprego depois).
Da mesma forma, em Brasília, os editais de concurso público são assediados por grande parte da população que clama por "estabilidade" e "bons salários". Cargos de fiscais, técnicos, auxiliares, do nível fundamental ao superior, burocratas de toda espécie, transformam-se em sonho de consumo. Vagas nos estacionamentos nem se fala.
Se, por um lado, durante todo o ano (principalmente nas últimas décadas) vagas e mais vagas são disputadas para a sobrevivência das famílias que nunca entraram no avião, por outro os passageiros cotidianos não querem largar seus lugares numerados. Pleitear uma vaguinha mandatária pode garantir uma estabilidade financeira por várias gerações, basta olhar os clãs Sarney, Magalhães, Siqueira, etc.
Dizem que para se preencher uma vaga existem critérios. Para o vestibular se observa a capacidade de decoreba (ou no caso das particulares a capacidade de pagar a mensalidade); nos concursos públicos a habilidade de fugir de pegas (ou de comprar as provas); nos hospitais a premência da morte (ou ter uma boa rede de relacionamentos). Mas, quais os critérios para preencher uma vaga eletiva? Existem critérios para se lançar um candidato pelo partido a, b ou c? O que se mede na disputa eleitoral? Carisma? Popularidade? Experiência? Compromisso? Ética? Calibre financeiro? Ou vale mesmo é a cara-de-pau para vender ouro de tolo?
Em tempo de centenário do 14 Bis, de Santos Dumont, os brasileiros – tão bons e competentes avaliadores – exercerão sua cidadania (talvez fosse melhor e mais real escrever sidadania), com mais bis, escolhendo os integrantes do esquadrilha (ou quadrilha?) pelo aperto de mão, palavras bonitas e rosto simpático.
Mais uma vez, estarão espremidos na cerca do aeroporto eleitoral milhões de brasileiros, com seus olhares miúdos e vestes rotas, mirando (hipnotizados) a sofisticada invenção que voa tendo peso maior que o ar, acenando mãos e bandeirinhas, assistindo ao espetáculo.
Sequer imagina, a maioria da platéia, que o avião pesado, sucateado, contrabandeado, desgovernado, pode cair a qualquer momento na sua cabeça, e que nesse momento os tripulantes e nobres passageiros (certamente) já saltaram de pára-quedas, ou fizeram outra conexão, e que sair dos escombros pode ficar cada vez mais difícil. Alguém sabe onde fica a descarga do avião?
Solange Pereira Pinto é graduada em Direito e Jornalismo. Também é artista plástica e arte-terapeuta, professora universitária e autora do livro "Do Imaginário ao Concreto: Brasília uma Narrativa da Construção Civil". Visite o seu blog: Idéias & Ideais.
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________________________
   
Quando a última árvore cair,
derrubada; quando o último rio for
envenenado; quando o último peixe for pescado,
só então nos daremos conta de que
dinheiro é coisa que não se come".
(Índios Amazônicos)

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