Palavreando
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Nome: O Palavreando é um blog que tem um pouquinho de tudo e de tudo um pouquinho: Entretenimento, literatura, arte, internet, política, comportamento, educação, denúncia, etc


É também ponto de encontro de pessoas ávidas por uma leitura despojada. Portanto, "Seja muito bem vindo!

Sobre a autora do blog: Eu sou Janethe Fontes, escritora, e este é o meu cantinho. Sempre que possível, eu escrevo "alguma coisa" e posto aqui, mas não é diário, nem semanal e nem mensal... é sempre que eu consigo um tempinho em meio a correria do meu dia-a-dia, ok??


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Formando Não-Leitores
Por Luis Eduardo da Matta
 
A meu ver, um escritor deve ser, antes de tudo, um observador hábil, daqueles que conseguem se desligar momentaneamente dos próprios dilemas e enxergar a vida ao redor com lentes frias, imparciais, procurando extrair de episódios prosaicos do dia-a-dia – que, para a maioria das pessoas, assaltada pelas urgências de um cotidiano cada vez mais insano, costumam passar praticamente desapercebidos – impressões luminosas, capazes de induzi-lo a refletir sobre aspectos da realidade que, muitas vezes, ficam injustamente circunscritos à periferia da nossa empobrecida arena de debates.
Há cerca de dois anos, tive a oportunidade de passar por uma experiência dessas, ao presenciar uma cena que me despertou para uma questão que sempre me incomodara, mas sobre a qual eu, curiosamente, não havia ainda me debruçado com a atenção devida: a tensa relação existente entre nós, leitores e a Literatura brasileira como um todo. Era uma bonita tarde e eu me encontrava na seção de autores nacionais de uma conhecida livraria carioca. Ao meu lado, duas mulheres conversavam baixo, enquanto pareciam percorrer as prateleiras com os olhos. Foi quando a mais alta delas, que trazia nas mãos dois romances estrangeiros, virou-se inadvertidamente para a outra e disparou, depois de um muxoxo de desdém: “Aqui só têm livros chatos. Vamos logo até o caixa pagar, que eu preciso ir embora.”
Livros chatos? – pensei eu, estarrecido, enquanto elas se afastavam por trás de mim. Tantos autores geniais enfileirados na estante à minha frente: Machado de Assis, José de Alencar, Graciliano, Guimarães Rosa, Clarice Lispector... Num primeiro momento considerei aquilo uma franca demonstração de ignorância, mas logo pensei melhor. Não era um depoimento solto no ar por uma pessoa na qual se pudesse identificar uma aversão notória à leitura, muito pelo contrário. Pela maneira de falar e se comportar e, sobretudo, pela quantidade de livros que acabara de comprar, a autora da frase dava a impressão de ser uma leitora contumaz. Não sei porque, na hora, fiquei tão estarrecido, já que aquela não era, sequer, a primeira vez que eu ouvia afirmação semelhante.
É uma visão obviamente distorcida. Pode-se afirmar, isso sim, que a Literatura produzida no Brasil é sofisticada demais para o paladar do leitor médio, acostumado às facilidades da televisão e do cinema. Temos aqui uma Literatura complexa, rica, por vezes absurda, que retratou costumes e vícios do país, denunciou nossa triste realidade social, esmiuçou conflitos e emoções humanas, criou e recriou linguagens na prosa e na poesia e, acima de tudo, uniu os diversos Brasis, mostrando aos leitores do Sul como era a vida no Norte e vice-versa. Por que, então, a consideram chata? Será um mero preconceito contra a produção nativa? Não creio, do contrário, escritores como Jorge Amado, Érico Veríssimo e João Ubaldo Ribeiro jamais teriam feito o sucesso que fizeram. Haveria uma incompatibilidade dos temas escolhidos pelos autores com as preferências do público? Não, pois, neste caso, seria preciso explicar o sucesso de adaptações de textos literários como “Sinhá Moça”, “Riacho Doce” e “Escrava Isaura” para a televisão e “A Ostra e o Vento”, “Lisbela e o Prisioneiro” e “Memórias Póstumas de Brás Cubas” para o cinema. O problema, a meu ver, é mais profundo e está diretamente ligado ao débil, precário e imbecil processo de formação de leitores (ou seria de não-leitores?) em boa parte das escolas brasileiras.
É compreensível que muitos brasileiros não gostem de ler. Parece existir dentro do nosso sistema educacional um competente esquema montado com o propósito de incutir nos estudantes um ódio mortal pelos livros, ódio este que acaba se prolongando pela vida afora de uma forma quase patológica. A forma como os adolescentes são apresentados à Literatura adulta nas nossas salas de aula não poderia ser mais estúpida. É, na maioria das vezes, um procedimento burocrático e enfadonho, onde obras e escritores são tratados pomposamente como verdadeiros vultos históricos vinculados a uma entidade sacrossanta denominada “Literatura Brasileira”. Alunos de doze, treze anos são forçados a decifrar e, pior ainda, a interpretar em provas que valem nota, clássicos dos séculos XIX e XX, textos verbosos e intricados para um jovem que mal despertou para a vida. Por conta disso, os escritores brasileiros ficam eternamente estigmatizados com o rótulo de “difíceis” e, mesmo aqueles que nunca foram tema de dissertação escolar, passam a ser vistos com desconfiança nas livrarias, por mais elogios que recebam na mídia, pois os adultos de hoje, os não-leitores formados nas carteiras escolares, os associam automaticamente àquelas horas torturantes dos tempos de estudante, em que a leitura era um misto de martírio e tédio total.
O ensino no Brasil necessita urgentemente de uma reforma de mentalidade. Mais do que franquear o acesso de todos à escola, há que incutir nos alunos não apenas o hábito, mas o gosto genuíno pela leitura, tornando-a uma atividade agradável, lúdica, se possível mais divertida do que a hora do recreio ou a prática de esportes. Muita gente concorda que a salvação do Brasil está na leitura, mas uma parcela expressiva dos nossos professores – por convicção, idealismo, ingenuidade, comodismo ou despreparo – equivoca-se ao crer que, indicando um autor canônico para leitura obrigatória com direito a um teste básico no fim do mês, despertará nos seus alunos imberbes a paixão pelos livros quando, na verdade, correrá o risco de conseguir justamente o inverso. O aluno, futuro leitor em potencial, deve ser estimulado a descobrir autores que lhe atraiam e não se ver na obrigação de ler aquele “gênio” que o professor, a escola ou o governo julgam importante lhe enfiar goela abaixo, só porque tem de figurar no seu currículo a leitura de clássicos. Afinal de contas, ler é um instrumento para se aprender e não o aprendizado em si. Ou seja, ensinar a ler é muito mais importante do que ensinar o que ler.
Agora eu sei que aquela senhora alta com quem eu esbarrei na livraria é, na verdade, uma sobrevivente. Ela, possivelmente, teve alguma experiência dramática similar às relatadas acima, mas encontrou resguardo na Literatura estrangeira que, por estar banida do currículo das nossas escolas, não teve a reputação comprometida pelos vícios pseudo-academicistas do ensino brasileiro e mantêm-se firme como sinônimo de leitura agradável e estimulante, mesmo quando não é nem uma coisa nem outra. A Literatura brasileira precisa passar por uma mudança de imagem, algo semelhante ao que ocorreu com o nosso cinema, que durante anos amargou o preconceito do público. No caso literário, porém, essa mudança deverá ser mais difícil e demorada, pois formar leitores é muito mais trabalhoso do que simplesmente formar platéias. Se não tivermos bibliotecas bem equipadas e, acima de tudo, um ensino de Literatura ao alcance da compreensão do povo e à altura das suas necessidades, o Brasil se autocondenará ao ostracismo num mundo no qual o conhecimento será, cada vez mais, o grande capital que distinguirá as nações desenvolvidas do resto. Foi-se o tempo em que o trabalho braçal impulsionava um país na direção do crescimento. Reduzir a distância histórica existente entre a sociedade e a produção literária nacional será um passo fundamental para se construir um Brasil melhor e mais justo, já que dará às pessoas o único instrumento – a intimidade com o ato de ler – capaz de fazê-las crescer por conta própria em todos os sentidos, inclusive como cidadãs de uma nação que se pretende democrática.
 
Luis Eduardo Matta, autor de 120 Horas.


- Postado por quem? Janethe Fontes Quando? 12:55

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Código a brasileira
Por Janethe Fontes
 
 

Aproveitando a onda de sucesso do livro "Código da Vinci", no dia 31 de maio, chega às livrarias pela editora Espaço e Tempo "O Código Aleijadinho", do mineiro Leandro Muller, que fez várias pesquisas e viajou para as cidades históricas de Minas Gerais para ver de perto as obras do escultor barroco e as igrejas.

 

"Na trama, um alto funcionário do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) descobre na Igreja da Sé da cidade mineira de Mariana um afresco escondido de autoria de Aleijadinho. A descoberta já poderia ser surpreendente por si só, pois não há notícias de nenhuma pintura feita pelo escultor nascido em Vila Rica por volta de 1730. Mas o mais intrigante é que o afresco traz importantes revelações sobre a Sociedade dos Eternos, uma seita secreta que guardaria o segredo da vida eterna e da qual Jesus, Buda, Maomé e todos os participantes da Inconfidência Mineira fariam parte.

Depois da descoberta, o estudioso é encontrado morto. O caso leva o melhor amigo do pesquisador e sua filha a fazerem viagens pelas cidades históricas mineiras pra descobrir os responsáveis pelo assassinato até que a Abin (Agência Brasileira de Inteligência) também entra no caso e aponta os dois protagonistas como principais suspeitos do crime."

 

O "Código Aleijadinho" mistura personagens e histórias díspares como a queda do Império Romano, os profetas bíblicos, a Inconfidência numa trama cheia de mistérios. Traz também detalhes e a história de prédios antigos de Minas, do Rio de Janeiro e de obras de arte barrocas. Nas primeiras páginas do livro, há uma advertência que diz que as descrições de obras de arte, arquitetura, documentos e rituais secretos correspondem rigorosamente à realidade. Mas o mais surpreendente é que o aviso está escrito com exatamente as mesmas palavras da advertência presente nas primeiras páginas da edição brasileira de O Código Da Vinci, publicado pela editora Sextante. Müller não faz questão de esconder de onde veio a inspiração para seu primeiro livro.

 

 
 
 
 
Por Simone Balliari e Janethe Fontes.

Crédito(s): Jornal da Tarde



- Postado por quem? Janethe Fontes Quando? 12:52

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