Com o questionador título de “Corrupção na Política: Eleitor Vítima ou Cúmplice?”, o estudo foi apresentado no 2º Congresso Brasileiro de Pesquisa, realizado em São Paulo na semana passada. Os resultados da pesquisa realizada com 2.001 pessoas em janeiro respondem à pergunta. Fica claro que a maioria dos eleitores brasileiros tolera algum tipo de corrupção por parte de seus representantes ou governantes eleitos.
A pesquisa listou 13 atos de corrupção política:
1) Escolher familiares ou pessoas conhecidas para cargos de confiança;
2) Mudar de partido em troca de dinheiro ou cargo/emprego para familiares/pessoas conhecidas;
3) Contratar, sem licitação, empresas de familiares para prestação de serviços públicos;
4) Pagar despesas pessoais não autorizadas (como compras no cartão de crédito ou combustível) com dinheiro público;
5) Aproveitar viagens oficiais para lazer próprio e de familiares;
6) Desviar recursos das áreas de saúde e educação para utilizar em outras áreas;
7) Aceitar gratificações ou comissões para escolher uma empresa que prestará serviços ou venderá produtos ao governo;
8) Usar “caixa 2” em campanhas eleitorais;
9) Superfaturar obras públicas e desviar o dinheiro para a campanha eleitoral do político;
10) Superfaturar obras públicas e desviar o dinheiro para o patrimônio pessoal/familiar do político;
11) Deputado ou Senador receber dinheiro de empresas privadas para fazer e/ou aprovar leis que as beneficiem;
12) O político contratar “funcionários fantasmas”, ou seja, pessoas que recebem salários do poder público sem trabalhar e ele ficar com esse dinheiro;
13) Trocar o voto a favor do governo por um cargo para familiar ou amigo;
Os entrevistados tinham de avaliar essas ilegalidades, indicando quais eram consideradas graves e inaceitáveis. Depois, tinham de analisar cada uma, revelando a percepção que têm da incidência da prática desses atos ilícitos por três categorias distintas: políticos ou governantes, pelos brasileiros e pelo próprio entrevistado.
Em cada caso, eram obrigados a classificar ainda o nível em que os atos seriam cometidos. As opções eram três:
1) “Por todos ou pela maioria”, “Sempre ou algumas vezes”;
2) “Por uma minoria” e “Só se não tivesse outro jeito”;
3) “Por nenhum” ou “Não faria de jeito nenhum”.
Para os entrevistados, 100% dos políticos e governantes cometeriam ao menos um dos 13 atos de corrupção. É o mesmo percentual para brasileiros. Mas 75% dos entrevistados transgrediriam algum dos 13 itens listados como atos de corrupção. Isso significa que apenas um em cada quatro brasileiros afirma que não cometeria a ilegalidade.
Tais dados, segundo o estudo, ilustram numericamente a percepção de que “todos os políticos brasileiros são corruptos, mas infelizmente também parecem indicar que a falta de ética não atinge de forma grave somente a classe política brasileira”.
Os entrevistados têm uma reação dúbia à corrupção. Ao mesmo tempo em que condenam as irregularidades, reconhecem que cometeriam atos ilícitos se tivessem oportunidade. Um exemplo: 78% consideram inaceitável aproveitar viagens oficiais para lazer próprio e de familiares. Mas o percentual dos que afirmam que não fariam isso é bem menor: apenas 57%.
Antes de iniciar o trabalho, havia uma suposição entre os pesquisadores de que a maioria dos brasileiros tinha algum tipo de desvio ético e tolerava a corrupção. O estudo confirmou isso. Embora se considere razoavelmente honesto, o eleitor pratica ou aceita uma diversidade de transgressões à lei no seu cotidiano. E é claro que, quanto mais ilegalidades o eleitor cometer ou aceitar no seu dia-a-dia, mais tolerante ele tende a ser com os atos de corrupção no Congresso.
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